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domingo, 17 de junho de 2018

17, 24 e 26/05/2018 - 07/06/2018 _ PROJETO DE ENSINO-APRENDIZAGEM

               Conforme Freire, ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua produção ou sua construção. Paulo Freire instigava em suas ideias as relações sobre o ensino, a transmissão do conhecimento e a intervenção na prática da transformação. O ensino e a aprendizagem não podem estar distantes. Numa análise prática, ensino e aprendizagem são indissociáveis, um não existe sem o outro, ou não deve existir.
                Vasconcelos defende em seus escritos a questão do preparo dos professores no que diz respeito a busca de alternativas que possam ajudar os alunos a superar as dificuldades e adquirirem vontade e gosto para aprender. Nesse ínterim, pode-se visualizar a importância do professor como estimulador do conhecimento e da busca pelo aprendizado nos seus estudantes. 
                Conforme Vasconcelos o professor deve estar atento a linguagem como veículo de expressão, não só de ideias, mas também como forma de expressão do que esse aluno traz para a sala de aula, seu contexto social, econômico e cultural. Os bons professores devem adequar a linguagem a de seus alunos e utilizar isso como ferramenta para sistematização dos ensinamentos. Vasconcelos traz uma educação diferente da tradicional, onde o professor transfere conhecimento e o aluno é objeto no processo. No processo ensino e aprendizagem de Vasconcelos, o professor vem como orientador do processo de transmissão e assimilação ativa, onde o aluno é co-autor deste processo e participa de forma ativa da construção da educação e da construção do conhecimento. Essa educação defendida por Vasconcelos, traz a valorização das experiências socioculturais dos discentes. Segundo Vasconcelos a educação vai além da construção do conhecimento, tem papel importante na formação da personalidade, perpassando aspectos, moral, afetivo e físico. 
            No texto escrito por Vasconcelos "Não a projeto!, ele faz uma critica as falhas existentes nos planejamentos educacionais e aos profissionais que reproduzem ou seguem esses erros sem questionar, sem analisar todas as etapas do processo educacional e sem uma análise situacional crítica e analítica e, consequentemente intervenções falhas e metas que não ajudarão a melhoria do processo educacional.
                Vasconcelos cobra uma mudança do conceito que se tem que planejar é somente cumprir obrigações burocráticas. O autor acredita que o planejamento deve ser realizado de forma holística no que se refere ao processo, aos atores, rever todo o contexto que a comunidade escoar está inserida, e a partir daí  traçar as metas a serem buscadas coletivamente. O processo de planejamento é uma necessidade iminente em todos os locais, em todos os setores. Cada vez mais, o planejamento vem sendo usado como a base no desenvolvimento das atividades cotidianas com vistas ao alcance de metas, cada vez mais qualificadas. Na educação, o planejamento é importante para otimizar o processo de ensino aprendizagem. Somente após a análise e compreensão de todos os fatores e condições que permeiam o espaço escolar é que se consegue intervenções pontuais e que contemplem a real necessidade educacional em que se está inserido. 
                Vasconcelos destaca que existem níveis de planejamento. O primeiro é o planejamento do sistema de educação. Trata-se do que é definido em nível macro sobre educação. Esse planejamento é realizado em nível nacional e estipulam metas para  todos os níveis de ensino, desde a pré escola até o ensino superior. Planejamento da escola: Esse planejamento é o PPP (Projeto Político Pedagógico). Se trata do planejamento de cada escola. Deve ser construído de forma democrático, contemplando todos os atores do âmbito daquela escola. Todos devem ser ouvidos e todos devem opinar, pois esse planejamento dita as diretrizes em âmbito municipal e deve estar em consonância com o planejamento nacional e estadual de educação, observadas as normas e legislações vigente. 
                  Depois temos o planejamento curricular. Esse planejamento se trata de um plano geral de conteúdos para todos os anos. É a "espinha dorsal" da escola, contemplando todos os anos de ensino que tem nessa instituição. Esse planejamento deve estar alinhado e em consonância com os outros planeamentos citados anteriormente. Projeto de aula diário: Esse planejamento é mais próximo das praticas do professor e da sala de aula. Diz respeito ao aspecto didático. Esse projeto vai ser o que colocará em prática os planejamentos anteriores e trata do que será abordado em sala de aula, como acontecerá a construção do conhecimento com vistas as individualidades e peculiaridades de cada turma. Além dos planejamentos enumerados anteriormente, temos ainda planejamento setorial: é o plano dos níveis intermediários. (conselho de classe, reunião de professores).  
               O planejamento não deve ficar estático, até porque as condições, as necessidades e os atores envolvidos no processo agem dinamicamente. Então, o planejamento, em todos os níveis, devem ser revistos periodicamente, analisando a aplicabilidade, as metas e a eficácia das ações propostas com vistas ao alcance de metas pactuadas. Essa avaliação deve ser sistematizada, mas tem que ouvir a comunidade escolar com vistas a análise de todos, melhorando a visualização de falhas e diminuindo a possibilidade de erros. É de grande importância que todos conheçam os planejamentos mencionados, pois somente com o conhecimento desses planos que será efetivado o seu conteúdo, as suas prerrogativas e anseios na tentativa da mudança da realidade educacional encontrada na analise inicial. 
                    Vasconcelos preceitua que para que o planejamento atinja os resultados esperados deva ser feito alguns questionamentos: Planejar, para que? O que é o planejamento? O que é o plano? 
                     Vasconcelos distingue planejamento, planejar e plano: Planejamento é a reflexão que ainda está no campo das ideias. Planejar é antecipar mentalmente uma ação ou várias ações a serem realizadas. Plano é o produto da reflexão e é apresentado em forma de registro das ideias pensadas no planejamento, num documento, enquanto é provisório. Planejar é elaborar um plano de intenção na realidade, com intencionalidades para colocá-las em prática, em ação. O planejamento não é ainda a ação, mas um processo mental, de reflexão, de análise temporal e prospectivo. O planejamento traz em seu bojo a organização das ações com a finalidade da alcançar metas, buscando a superação de carências e/ou potencialização de boas práticas observadas na análise situacional e discussões prévias a sistematização e elaboração do plano.  Nessa análise, notamos que planejar é acreditar na possibilidade de mudança e na necessidade da mediação teórico-metodológica. 
                       Para que as ações façam sentido e tenham efetividade, tem que ficar bem claro na fase de análise, o que tem que mudar, porque tem que mudar. Isso nos mostra a importância da participação do controle social no planejamento. Não tem como o projeto político pedagógico de uma escola ser elaborado sem fazer uma análise criteriosa dos educandos, de sua condição social e econômica, de seus aspectos culturais e históricos, não tem como não olhar os riscos sociais e as vulnerabilidades que a comunidade escolar está inserida. Todas essas discussões devem ser realizadas, e somente são fidedignos da realidade se houver participação da comunidade escolar em todo o processo de construção e de avaliação desse planejamento. A partir da análise deve-se iniciar a fase de planejamento, de projeção das finalidade e elencar as formas de mediação que serão utilizadas para o alcance das metas estipuladas. Conforme já comentado nesse texto, o planejamento é dinâmico e devem ser realizadas reuniões para avaliação das metas e da efetividade da intervenção que vem sendo realizada. Essa avaliação deve levar em conta da dinâmica das situações estudadas na análise situacional e sua evolução no espaço temporal e, a partir daí deve-se ocorrer a sugestão de propostas de mudança, sempre que for necessário. 
                        A partir dos textos lidos, podemos dizer que o planejamento é uma constate no processo de ensino e aprendizagem. O planejamento inicial vem como um norte a ser seguido pelos atores, mas não se trata de algo imutável, mas sim de algo que, dentro do processo, possa ser revisto a todo momento, com a finalidade de buscar uma educação cada vez mais resolutiva e melhor, buscando a formação de pessoas que sejam críticas e sirvam de ferramentas de mudança social e atores ativos na vida da comunidade em que estão inseridas. 

* Referência(s): VASCONCELLOS, Celso dos S. Projeto de Ensino-Aprendizagem. In:VASCONCELLOS, Celso dos S. Planejamento: Projeto de Ensino Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico. São Paulo: Libertad, 2012, p. 94 a 115 e 133 a 155.

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