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sábado, 3 de março de 2018

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APRESENTAÇÃO PESSOAL

               Acabo de completar 38 anos. A vida nunca foi fácil pra mim, o que me proporcionou um grande aprendizado. Sou filho de pequenos agricultores. Pessoas sofridas, mas que me deram o essencial para eu rumar na minha caminhada, a educação e o respeito por todos. 
                 Iniciei minha vida escolar no Rincão dos Gasperins, um dos pontos mais extremos do município de Esmeralda (hoje parte do município de Pinhal da Serra), para ir até a escola, caminhava aproximadamente uns 4km. Metade do caminho tinha estrada e a outra metade, era composto de carreiros em meio a mata fechada. A escola era pequena, de madeira, mas tinha professores atenciosos, que inclusive faziam o papel de cozinheiros, nos fazendo a merenda. Estudei nesse local mágico, que até hoje me dá saudades, até os 9 anos, depois terminou a possibilidade de prosseguir, pois a escolinha tinha somente até a quarta série e para continuar o estudo teria que caminhar aproximadamente 8km. Foi nessa época, que meus pais tiveram que tomar uma difícil decisão: Ir pra cidade de Esmeralda, mesmo sem condições, para que eu e meus irmãos (um mais novo e uma irmã mais velha com problemas de deficiência física) pudéssemos continuar nosso processo de erudição. Foram os momentos mais difíceis da minha vida, com apenas 9 anos, tive que arrumar o meu primeiro emprego para ajudar em casa. Estudava e no contraturno trabalhava. Estudei e trabalhei em Esmeralda até os 14 anos, mas devido a uma oportunidade de trabalho saí de casa e me mudei para a cidade de Barracão. 
                Em Barracão terminei o 1º e o 2º grau, mas sonhava aprender mais. As condições não eram boas e naquela época, anos 1999-2000, não tinha universidade gratuita na região, exceto as federais, mas era impossível. A maior dificuldade que tive durante a trajetória escolar, foi com o português, apesar de ler muito e gostar de fazer redações, sempre tive a letra muito feia e uma dificuldade muito grande de me manifestar em público, o que piorava as coisas, minha letra considerada “ilegível” por algumas professoras, principalmente os de língua Portuguesa, mas isso não me abalava, pois sabia que tirando a letra e a oratória eu tinha capacidade. Mas com dificuldades e algumas recuperações, conseguia o suficiente para progredir e galgar, a cada ano, mais um degrau na minha vida estudantil.
                       Em fevereiro de 2000 fui embora para Caxias, com apenas R$100,00 no bolso, precisava de emprego, pela primeira vez, desde os 9 anos, fiquei, longos 30 dias sem um emprego fixo. Depois de muitas caminhadas, consegui emprego numa metalúrgica, onde eram confeccionadas peças de ferro fundido. Aprendi rápido todos os trabalhos e processos da empresa, mas o meu posto de trabalho era no lugar mais difícil que tinha na fábrica. Fazia horas extras em outros postos e aprendi fazer os ensaios no setor de controle de qualidade, onde nos finais de semana substituía o profissional que fazia esse trabalho, pois ele não trabalhava em horários extraordinários. Gostei tanto do posto, que resolvi começar estudar mais sobre os processos metalúrgicos. Descobri que sairia um curso de técnico de metalurgia, e gratuito. Inscrevi-me, após um processo seletivo muito difícil comecei a estudar. Era muito difícil, pois pegava o primeiro ônibus para ir ao trabalho e voltava no ultimo que ia para o bairro que eu morava, pois era muito distante do centro da cidade. Diversas vezes não consegui segurar os olhos abertos, seja na aula ou no coletivo, o que me fez caminhar muitas quadras nas vezes que perdi a parada do trabalho. Apesar das dificuldades, não desisti do meu foco que era melhorar o meu local de trabalho dentro da empresa, de preferência como responsável pelo controle de qualidade.
                          O ano de 2001 foi muito complicado, minha irmã com quem eu morava, teve que se mudar de cidade, fiquei morando sozinho, sem saber cozinhar e com pouquíssimos moveis dentro de casa. Aprendi cozinhar com uma vizinha e depois de algum tempo fui morar com alguns parentes em outro bairro. Nesse bairro conheci minha esposa, com quem casei, vivo até hoje e temos uma filha de 12 anos.
No ano de 2002, ano que me formaria no curso técnico, surgiu uma oportunidade de trabalho na minha cidade. Eu estava desiludido com a cidade grande, tinha sofrido duas tentativas de assalto ao retornar do curso, em apenas duas semanas e  minha vaga no controle de qualidade não estava fácil. Houve vacância em dois momentos, mas foram chamados alguns “amigos” dos diretores e eu, apesar de estar colecionados prêmios de melhorias no ambiente de trabalho e nos índices de retrabalho, continuava trabalhando no local onde comecei, alegavam que ninguém queria ficar naquele setor. A oportunidade de trabalho que me referi, era um concurso público. Fiz e passei em primeiro lugar, sendo imediatamente contatado para assumir o cargo. Foi uma decisão difícil, pois estava em fase final no meu curso e quando informei ao meu imediato que iria sair, ele me disse que não me dariam a demissão e ainda, caso eu resolvesse continuar na empresa, me passariam de imediato para a vaga do controle de qualidade, com o dobro do salário que eu ganhava. Isso me deu uma raiva tão grande que pedi minha exoneração na hora, casei e vim para Esmerada, onde estou até hoje.
                         Iniciei na prefeitura, no cargo de motorista, com metade do salário que ganhava em Caxias, sem casa e com poucas coisas. Passamos, eu e minha esposa, por momentos difíceis, inclusive para comer. Mas as coisas foram se ajeitando, comecei a transportar os alunos do transporte escolar e ganhava muita coisa. A responsabilidade e atenção com que eu conduzia e atendia das crianças, alavancou minha carreira política, onde me elegi vereador em 2008. Aos poucos o medo de falar em público foi sendo superado.
                              Sempre gostei muito de estudar e a vida pública me deu a oportunidade de fazer vários cursos, participar de vários seminários, congressos, conferências, etc. Mas sempre quis saber mais sobre a natureza e o meio ambiente.  Comecei estudar o curso de Gestão Ambiental, tinha aulas semanais, mas tirava o máximo proveito das apostilas e das webaulas, me formei e em seguida surgiu a oportunidade de começar o curso técnico de informática, no IFRS Vacaria, pois havia uma carência muito grande desses profissionais na minha cidade e na secretaria que eu era gestor naquele momento.
                          Em 2013 fui convidado para assumir a gestão da saúde em meu município. Aceitei o desfio, onde estou até o dia de hoje. As experiências na secretaria me fizeram ver que todas as formas de vida estão inter-relacionadas e o curso de Ciências biológicas me faria entender mais essas relações e talvez, ajudar a melhorar a relação entre o homem e todas as formas de vida. Inscrevi-me e passei em 7º lugar e estou cursando. Diferentemente de antes, no técnico em informática, vejo um brilho nos olhos de todos os professores do IFRS, uma empolgação que jamais vi na minha vida escolar, algo que me contagiou e  me fez sonhar em ser um excelente profissional da área, um profissional que faça a diferença (para melhor) na vida das pessoas que cruzarem meu caminho. Pretendo me formar e trabalhar na área, cuidar dos recursos naturais através da educação ambiental e ajudando melhorar um pouco a triste situação que vivemos, seja no que concerne as questões ambientais ou sociais.

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